As pessoas preferem acreditar do que saber.

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É cada vez mais comum ver pessoas assustadas ou perdendo a fé na humanidade. Esse sentimento de descrença não é de hoje. Ele parece ser maior, pois aquela noticia carregada de sangue que deixa o pessoal do departamento comercial dos meios de comunicação pulando de alegria, agora ganha voz (views) através das nossas redes sociais.

Já fazem 4 anos que não ligamos TV em rede aberta ou por assinatura, isso é tanto quanto contraditório na casa de um casal que trabalha com jornalismo.

 
Um dia chuvoso de inverno pesquisadores desembarcam na Ilha dos Lobos no litoral do Rio Grande do Sul, por horas ele permanecem na ilha coletando fezes de pinípedes e vestígios de outras espécies que frequentam a ilha, que é menor unidade de conservação do Brasil. Enquanto fotografo o grupo confortavelmente abordo de barco, fico me perguntando, onde o ser humano esta disposto a ir para buscar o conhecimento.

Em um dia chuvoso de inverno, pesquisadores desembarcam na Ilha dos Lobos no litoral do Rio Grande do Sul. Por horas permanecem na ilha coletando fezes de pinípedes e vestígios de outras espécies que frequentam a menor unidade de conservação do Brasil. Enquanto fotografo o grupo confortavelmente abordo de um barco, fico me perguntando, aonde o ser humano esta disposto a ir em busca do conhecimento.

Bom, gostaria citar todos os motivos pelos quais me decepcionei com o jornalismo diário, mas a lista seria longa. Posso adiantar que isso vem deste de 1991 quando percorria o litoral do Rio Grande do Sul como pesquisador do Gemars. Nessa época, a impressa local buscava colocar sangue em suas coberturas ao tentar tirar de nossa boca alguma acusação que podesse culpar os pescadores artesanais pela morte de golfinhos e baleias encontrados mortos. Mas a convicção só veio quando participei da cobertura do incêndio na Boate Kiss em Santa Maria, onde o desrespeito por parte dos colegas jornalistas eram anunciados pelos gritos dos famílias das vítimas, ele gritavam: “Sai daqui, urubu”.

Santa Maria foi o ponto de virada para eu deixar de ser conivente com essa lógica da imprensa brasileira de agradar o departamento comercial. Foi quando passai a editar não só as fotos ou vídeos que envio aos meus clientes, mas quando a edição começou a ser aplicada para minhas fontes de notícias e para quais notícias são dignas de ganhar voz em minhas redes. Admito que cometo escorregões, mas, logo busco excluí-las.

Por muitas vezes sobrevoeis garimpos na Amazônia e por anos julguei essas pessoas de um único ponto de vistas. Em dezembro de 2010, imprevistos nos impossibilitaram de acampar no Monte Roraima, o plano “B” nos levou a acampar nos fundos de um quintal. Nossos anfitriões eram nada mais que casal de ex-garimpeiros de diamante. O carinho que recebemos, me fez sentir vergonha dos meus julgamentos. Com certeza se não tivesse conhecido essas dois, poderia embarcar em uma campanha de difamação comum nas redes sociais. Fico feliz que Alice tenha recebido o carinho deste casal. Com certeza ela tem ferramentas para perceber o quanto existe complexidade no que nos apresentam como sendo o mal. Von Hetz shows the region for visitors on December 27, 2010 in Tepequem, Brazil

Por muitas vezes sobrevoei garimpos na Amazônia e por anos julguei essas pessoas de um único ponto de vista. Em dezembro de 2010, imprevistos nos impossibilitaram de acampar no Monte Roraima, o plano “B” nos levou a acampar no fundo de um quintal. Nossos anfitriões eram nada mais que casal de ex-garimpeiros de diamante. O carinho que recebemos me fez sentir vergonha dos meus julgamentos. Com certeza, se não tivesse conhecido essas dois, poderia embarcar em uma campanha de difamação comum nas redes sociais. Fico feliz que Alice tenha recebido o carinho deste casal. Com certeza ela tem ferramentas para perceber o quanto existe de complexidade no que nos apresentam como sendo o mal.

Uma frase tem me feito questionar a difusão do que consideramos noticia, que foi dita pelo naturalista, Edward O. Wilson e diz: “As pessoas preferem acreditar do que saber”.
Parece que esse princípio perpetua nas redes, ali tudo que chega até nós é tido como verdade absoluta e merecedora de compartilhamento.
Tenho medo desta relação, ou melhor, deste comportamento, onde pessoas acreditam que serão vistas com bons olhos, onde o indivíduo passa a mostrar seu comprometimento, indignação ou até mesmo inteligência ao compartilhar conteúdos que as tocam ou conhecida com seu modo de pensar, mesmo desconhecendo a procedência ou veracidade dos fatos.
Impossível deixar de olhar para minha filha de 10 anos e não temer o que ela vai considerar como uma fonte confiável, o que é verdadeiro, ou como uma notícia relevante, digna de ser compartilhada.

 

 

Rodrigo_Baleia_14-09-15_1767No inverno de 2015 Alice, carinhosamente chamada de “a naturalista”, por pesquisadores do Grupo de Estudos de Mamíferos Aquáticos do Rio Grande do Sul participou de um projeto inédito com baleia franca (Eubalaena australis) no litoral do Brasil. Enquanto parte dos pesquisadores estavam no mar para acoplar sensores de telemetria nos animais, Alice ficou com a equipe de terra monitorando o deslocamentos dos animais.

 

As férias escolares chegaram, por coincidência, estou indo para o litoral cobrir o trabalho de pesquisadores.
Mais uma vez eu e ela vamos nos juntar a um grupo de pessoas que tenho um profundo respeito, onde o nível de conhecimento não é medido em postagens, e sim pela busca do entendimento e compressão. Onde a rede é sinônimo de biodiversidade, sinônimo de abraços, sinônimo de relação com o meio que evoluímos.
Sendo assim, uso outra frase de Edward O. Wilson para definir o que vamos fazer nesses breves dias de férias escolares: “Você me ensina, eu esqueço. Você me mostra, eu me lembro. Você me envolve, eu entendo.”

 

 

Alice caminha em direção a colônia de lobos marinho em Cabo Polônio, no Uruguai. Ela exibe com orgulho a mochila que lhe foi dada de presente por Elias Maio. Eu e Elias começamos uma amizade virtual através do Facebook em 2011, nunca tive a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente, mas nossa amizade é sempre citada para Alice como exemplo de como podemos usar as redes com seriedade.

Alice caminha em direção a colônia de lobos marinho em Cabo Polônio, no Uruguai. Ela exibe com orgulho a mochila Deuter que lhe foi dada de presente por Elias Maio. Eu e Elias começamos uma amizade virtual através do Facebook em 2011, nunca tive a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente, mas nossa amizade é sempre citada para Alice como exemplo de como podemos usar as redes com seriedade.